Os inesquecíveis

Tem coisas que a gente não esquece. O Carlos Braggio lembrando como tinha sido a adolescência na cidadezinha em que ele morava, em meio ao clima provinciano agravado pelos ventos repressivos da ditadura, e como o cineclube abriu os olhos dele, mostrou que havia outro mundo fora daquela concha apertada – o Braggio se tornou um dos mais importantes quadros culturais em Campinas, SP. O pessoal do Clube Teresinense de Cinema contando como passaram uns dez anos sem poder fazer uma projeção – nenhuma distribuidora cedia filmes para eles –, mas se reunindo sistematicamente, discutindo o que chegava nos cinemas locais, mantendo vivo o espírito do cineclube do Piauí (até que o CNC e a Dinafilme permitiram que eles voltassem à atividade). A minha própria experiência de tentar organizar cineclubes em igrejas "progressistas" ao longo da Estrada do M'Boi Mirim – no Jardim Ângela, Figueira Grande, Jardim Sta. Margarida e outros bairros que nem lembro mais – já lá se vão 30 anos… Ou minhas mãos machucadas de levar cópias 35mm "no muque", para serem exibidas no Cineclube do Sindicato dos Petroleiros de Santos. Em todo o País, nos mais diferentes ambientes, com as formas mais variadas e em todo tipo de situação, incontáveis cineclubes deixaram sua marca, mudaram as pessoas, transformaram o lugar. Espero que este espaço consiga reunir depoimentos das pessoas que foram tocadas por essas experiências, participaram delas. E que a gente vá construindo uma grande galeria de cineclubes inesquecíveis.

Maurice – Meio século divulgando o cinema (Eduardo Ricci)
Elétrico Cineclube