Maurice – Meio século divulgando o cinema em Santos
Maurice Armand Marius Legeard, nascido em Paris (França) em março de 1925, veio aos 8 anos com seus pais Mauricette e Emile Legeard para o Brasil. Fez somente o curso primário e o primeiro ano ginasial, interrompendo os estudos porque, confessou certa vez, "não me ensinavam nada". "Quando a gente quer aprender, é só estudar, mesmo sozinho. E foi o que fiz, aqui mesmo no Brasil, lendo muito e tudo – dos jornais aos panfletos de rua, até chegar aos livros, que devorei em noites e madrugadas de insônia."
"Os livros são a melhor escola", afirmava Maurice. Mas o seu estudo preferido era o cinema, que sempre o fascinou. Acostumado desde cedo a 'arregaçar as mangas' para sustentar-se, Maurice fez um pouco de tudo: montou um Museu de História Natural; dirigiu do Clube Filatélico e Numismático de Santos; foi secretário do cônsul da França; trabalhou na Associação Cultural Franco-Brasileira; foi agenciador de ônibus na Estação Rodoviária, e organizou a montagem de um estúdio fotográfico, no qual atuava como recepcionista, fotógrafo e laboratorista.
O gosto pelo cinema, todavia, acabou por absorvê-lo de vez. Em meados de 1950, recebeu o convite para integrar o Clube de Cinema de Santos (fundado em 16 de outubro de 1948), passando de simples associado a coordenador, presidente, secretário e tesoureiro. Sem sede e sem recursos, o Clube de Cinema só não fechou porque Maurice levou todo o acervo para seu pequeno apartamento, na rua Pará, 98. Em janeiro de 1981, Maurice fundou a Cinemateca de Santos, que ele mesmo se encarregara de organizar e movimentar, estruturando uma biblioteca especializada em cinema, além de fichário para acompanhar todos os filmes de arte e vídeos.
Morreu em 25 de maio de 1997, aos 72 anos, em conseqüência de câncer na garganta. Maurice deixa uma lição de amor ao cinema; seu sonho de divulgar o cinema de arte ainda existe naqueles que conviveram com este ilustre cidadão santista.
Eduardo Ricci
Coordenador do Cineclube Lanterma Mágica, de Santos
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